5 de novembro de 2009

O conforto de se viver na ignorância



Neste exato momento, muitos de nós desejaria não ter tido que saber sobre algum fato, seja lá o que for.

Várias vezes, já me peguei pensando que tem coisas que é "melhor" a gente não saber. É que viver no território da ignorância não é nada mal. Pelo menos, até a gente descobrir que é ignorante. Aí, as coisas mudam de figura. Ou não.

Veja que eu não estou me referindo somente ao aspecto educacional ou intelectual da ignorância, mas a tudo aquilo que, por mais comum e corriqueiro que possa parecer, nós ainda não sabemos. De fato, estou falando das pequenas ignorâncias do nosso dia-a-dia, daquelas ignoranciazinhas que, aparentemente, parecem não trazer nenhum problema ou consequência. Porque as grandes ignorâncias, aquelas que gritam na nossa cara, as supremas ignorâncias históricas, essas, a gente vai, mais cedo ou mais tarde, ter que reconhecer. Elas fazem parte de um grande e engenhoso processo de aprendizado e mudança. Mas a miudinhas, essas podem persistir absurdamente, durante anos, sem que a gente sequer se dê conta disso.

Pode parecer que estou brincando ao citar este exemplo, mas é sério, e me serviu como exemplo, bem-humorado espero, durante uma aula ainda ontem, falando a um grupo de alunos. É sobre uma cena do sitcom The Big Bang Theory, onde o personagem Sheldon (magnificamente interpretado por Jim Parsons) está "tentando" jantar num restaurante chinês com dois dos seus três inseparáveis amigos.

Por ser um gênio obsessivo-compulsivo, ao fazer o pedido dos quatro biscoitos da sorte de sempre, Sheldon diz que eles estão apenas em três e que isso vai ser um problema, pois não é assim que devia ser. O quarto amigo faz muita falta, porque vai sobrar um biscoitinho! Os outros dois sugerem outras opções do cardápio, mas, é lógico, nada dá certo. Até que o dono do restaurante, um "chinês" nascido em Sacramento, na Califórnia, que não aceita substituições e nem reduções nas quantidades (a porção de quatro biscoitos é de quatro biscoitos e ponto final), sugere que pode deixar cair um dos biscoitinhos sem querer, como se fosse um acidente, para que eles possam ficar apenas com três. Os outros dois, mortos de fome e querendo acabar logo com aquilo, acham a idéia ótima, mas Sheldon diz que não vai dar, que é tarde demais pra fazer isso. Todos perguntam por quê e ele responde:

- Porque agora eu sei!

Esses pequenos jeitinhos que arranjamos para fazermos de conta que não sabemos aquilo que sabemos é comum na vida de todos nós, porque parecem inofensivos e até inocentes. São quase uma polida maneira dissimulada de ser e de viver.

Fazer vistas grossas é um ditado antigo, mas que me parece bem apropriado para definir situações em que a gente sabe, mas faz de conta que não sabe. A gente tem consciência da "coisa", mas finje que é ignorante. Afinal, muitas vezes, é mais confortável se viver na ignorância.

Ah, e se divirtam um pouquinho com o Sheldon e sua turma no vídeo aí embaixo:



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The Big Bang Theory





1 de novembro de 2009

Não olhar pra trás



Esta semana, assistindo ao sitcom Felicity, no canal Sony, a personagem central (a própria Felicity) diz que o difícil não é seguir em frente: o difícil é não olhar para trás.

De fato, ir pra frente é quase uma atitude automática, impensada e apressada que, quando vamos parar pra perceber o que aconteceu, já aconteceu. Especialmente, numa sociedade que priorizou a seguinte frase:

A fila anda!

E a gente deduz que ande pra frente.

Deve ser uma coisa parecida com ter que deixar Sodoma sem olhar para trás, para não virar estátua e pó.

Quantos de nós consegue, verdadeiramente, deixar o passado lá para trás, por pior ou por melhor que tenha sido?

Tenho minhas dúvidas de que a gente consiga mesmo, simplesmente por repetir que a fila anda e que o melhor é olhar pra frente porque atrás vem gente.

Memória é memória e esquecer significa não lembrar. Neste caso, o que já foi vivido e não deve ser revivido.

Seria uma coisa assim como uma espécie de amnésia consensualmente induzida.

Mas, e se a memória for cósmica, quântica, transcendental e atemporal?

Bom, aí acho que não deve ter problema, porque também não deve ter passado.

Ou, talvez, o melhor seja apenas esquecer o que eu disse e seguir em frente. Porque atrás, certamente, vem muita gente!

17 de outubro de 2009

Ouse pensar diferente

Há pouco mais de uma década, a Apple lançava sua campanha publicitária com o slogan Pense Diferente.

O comercial original, veiculado na época, é, na minha opinião, maravilhoso. E tem um alcance que, de forma meio inusitada, acabei mencionando em uma de minhas aulas recentes.

Foi quando um aluno questionou sobre a validade de continuarmos investindo em nossos sonhos e convicções, quando ninguém mais parece compreender sua atitude ou mesmo acreditar que você possa, mesmo que momentaneamente, estar certo.

É lógico que não existe uma resposta pronta e nem uma fórmula mágica, que ateste que você está no caminho certo. Mas, eu não conheço outra maneira de se alcançar objetivos, que não seja o da prática da perseverança, da disciplina, da fé inabalável e do amor à vida. Como também ainda não conheço nenhum comportamento que exclua completamente o erro. Pois mesmo que você erre, e todos nós erramos muito, é transformador saber que o aprendizado advindo sempre será superior ao erro cometido.

Dê uma espiadinha no comercial original, de apenas 1 minuto, no vídeo abaixo. E aprenda a ser mais ousado naquilo que, realmente, pode fazer a diferença. Mesmo que digam que você está ficando louco. Pode ter certeza de que você não será nem o primeiro nem o último a ouvir isso!



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9 de outubro de 2009

A eterna namorada



Transitando pelo universo dos relacionamentos amorosos, resolvi deixar aqui uma idéia para reflexão, de como, na minha opinião, um homem não deveria se referir à sua mulher, seja ao mencioná-la, ao falar dela ou apresentá-la.

Guarde bem esta palavra:

C O M P A N H E I R A

Não tem nada menos romântico e poético do que "companheira".

Pra mim, isso é coisa de partido político, de sindicato, ou de séries de tv cult, tipo Agente 86 e MASH, onde companheira e camarada são a mesma coisa.

Mulheres amadas, desejadas, respeitadas e admiradas são apenas namoradas, esposas, provavelmente deusas, musas, até mesmo amadas-amantes, como diz o Roberto na canção... Ou, simplesmente, mulheres mesmo!

E muito embora eu entenda a profundidade intencional empregada a esse termo, e a valorize em alguns contextos bem humanizados, como o do Yoga, por exemplo, não consigo me esquecer do ótimo Sílvio Santos gritando para suas não menos ótimas companheiras de trabalho:

- Quem quer dinheiro?

E, espontaneamente, me veio o pensamento de que é sempre bom lembrar do antigo ditado, que diz que o inferno está cheio de boas intenções.

Grande parte das vezes em que ouvi um homem se referir à sua mulher como "minha companheira", o panorama a ser visualizado era o de ela ter que suportar muitas agruras e umas poucas gostosuras (só para rimar). Como se a parte da "companheira" fosse sempre aquela de ajudá-lo a carregar um fardo - que, diga-se de passagem, parece ser pesado, bem pesado!

Com raríssimas exceções, que não poderia mencionar agora, o conceito geral descritivo amoroso para companheira parece estar inserido numa escala de resistência à dor.

O mais acertado, penso eu, é colocar a intenção amorosa e o sentimento amoroso na linda e contente palavra que vai descrever a mulher da sua vida hoje.

Ah, e só registrando:

Essa dica vale para as mulheres na mesma proporção e intensidade, é claro!

Porque pior do que "companheira", só "companheiro" mesmo!!!

4 de outubro de 2009

Um palácio de ouro no topo do mundo: metáfora da renúncia



- "No outono de 1861, eu estava em Danapur como contador do Departamento de Engenharia Militar do Governo", diz Lahiri Mahasaya.

Foi quando seu chefe o chamou e o notificou do recebimento de um telegrama, que pedia sua transferência imediata para um posto do exército localizado em uma aldeia no sopé dos Himalaias. Lahiri deixa, então, sua mulher e filhos e parte para as sagradas montanhas. Chega ao seu destino, acompanhado de apenas um assistente, trinta dias depois.

Sem nada de complicado ou demorado para fazer no escritório do posto, Mahasaya passeia pelos arredores das montanhas geladas, sempre com a nítida sensação da "presença" dos grandes homens sagrados que, dizia-se, habitavam aquele local. Como se já tivesse estado ali antes, ouve chamar seu nome e sente-se cada vez mais atraído em direção a uma clareira, que culminava numa seqüência de cavernas. Nesse cenário, vê um homem jovem, em pé, sorrindo para ele e lhe estendendo a mão, que diz:

- "Lahiri, você veio!".

E completa:

- "O escritório foi trazido para você e não você para o escritório."

Era o imortal Yogi Babaji, seu Mestre através das existências, que o havia levado até lá, até Ele.

Nesse ponto, o conto assume uma beleza sublime, descrevendo o amor incondicional do Mestre por seu discípulo. Babaji toca a testa de Mahasaya e este, como que acordando de um sonho, prostra-se aos Seus pés e o reconhece como seu adorado Mestre. Babaji fala, então, com voz celestial, de como Lahiri se perdeu Dele e "desapareceu nas tumultuosas ondas da vida após a morte". Fala de como o apego que gerou seu karma o trouxe de volta para poder realizar seus desejos materiais.

- "Por mais de três décadas espero que você retorne para mim", diz o sagrado Yogi.

E completa:

- "Embora seus olhos tenham se perdido de mim, meus olhos nunca se perderam de você. Eu o segui através do luminescente oceano astral onde os anjos gloriosos velejam."

E Mahasaya, olhando ternamente para seu Guru na vida e na morte, murmura:

- "Onde já se ouviu falar de um amor assim, imortal?"

Depois desse encontro (que por mais que queira, não me atrevo a adjetivar), Babaji dá a Mahasaya um pouco de óleo para beber e lhe pede que entre nas águas geladas do Rio Gogash para purificar-se. Ele obedece e fica maravilhado com o "calor cósmico" que envolve seu corpo. Depois de algum tempo, por volta da meia-noite, seu solitário fluxo de purificação é interrompido por um homem, que o ajuda a sair do rio e lhe traz roupas quentes, convidando-o a seguí-lo para encontrar-se com seu adorado Guru.

No caminho, Lahiri avista soberanos raios de luz dourada intensamente brilhantes, que pensa ser o Sol.

- "Não, não é o Sol, meu amigo", diz seu acompanhante.

Na verdade, era um palácio totalmente feito de ouro, inscrustrado com as mais preciosas pedras, no mais suntuoso e magnânimo estilo.

- "Babaji materializou este palácio de ouro especialmente para você, pois você desejou desfrutar das belezas e delícias de um palácio. Nosso Mestre está agora satisfazendo seu desejo para libertá-lo dos desígnios de seu karma."

E acrescentou:

- "Este magnífico palácio será o cenário de sua iniciação no Yoga."

O conto transcorre de maneira reveladora e profunda, e eu não pretendo aqui terminar de recontá-lo. Mas, nesse ponto, você deve estar se perguntando:

Por quê um palácio de ouro e não uma simples caverna, como cenário para uma cerimônia de iniciação no Yoga?

Por quê a suntuosidade e não a simplicidade?

Por quê a riqueza e não a pobreza?

Primeiramente, porque Yoga é um estado interno, interior. O cenário externo é, portanto, contextual.

Mas a resposta se encontra em uma palavra:

D E S E J O

Lahiri Mahasaya, assim como você e eu, desejou. Quis possuir um palácio de ouro e, portanto, gerou a semente para uma ação concreta futura.

Foi um desejo forte e autêntico, que gerou apego à sua realização e se ergueu como uma espécie de impedimento, um obstáculo no caminho de sua Iluminação.

Em outras palavras:

Ou renunciamos de forma completa, autêntica, integral e consciente aos nossos mais profundos desejos, ou teremos que, primeiro, realizá-los para que possamos, legitimamente, vir a renunciá-los.

O caminho da realização sempre passa pelo caminho da renúncia, do desapego e do desprendimento.

Boas reflexões a todos!!!

Nota: A imagem é do Palácio de Mysore, na Índia. A história, que recontei aqui, se encontra no livro Autobiografia de um Yogi, de Paramahansa Yogananda.

25 de setembro de 2009

Through Changes



Sempre ouço dizer que,
Quando a gente muda,
Tudo ao redor muda também.

Uma verdade pela metade, essa.
Porque quando o ao redor muda,
A gente muda também.

Quando o pensamento muda,
Uma hora, o sentimento muda junto;
E quando o sentimento muda,
O pensamento acompanha a mudança, mesmo confuso.

O constante descompasso entre cabeça e coração,
Esse sim!
Traz muita aflição.

Mas ainda tem aquelas certas coisas
Que parecem nunca querer mudar...

São essas certas coisas,
Que não têm aparente explicação,
Que embalam o presente da vida.

Sem sim.
Sem não.

Nota: Na imagem, pintura de Picasso.

23 de setembro de 2009

Filosofia Rá-Tim-Bum ou uma nova Teoria da Evolução: Como transformar pedra em gente



Devo confessar, que eu já me peguei imaginando se a maioria dos professores de Yoga (aqui incluindo tanto homens quanto mulheres) eram mais sérios do que eu. E isso, lógico, tem um fundamento vivencial, de tudo o que experimentei nos estúdios que pratiquei ao longo da vida, e profissional também.

Digo profissional porque, como professora, recebo praticantes de outros estúdios, que, obviamente, estudaram com outros tantos professores. E, no começo, já no primeiro bate-papo, identifico a seriedade na postura, a economia de sorrisos, a fala controlada, a procura por termos certos e precisos.

Por um lado, fico contente, pois isso demonstra interesse em buscar o melhor da prática, e isso é bom. Mas, por outro lado, todos esses anos de estrada me provaram que nem todo interesse é interessante.

Parece redundância eu falar em interesse interessante, mas você vai compreender o que quero dizer aqui:

Nem todas as pessoas interessadas em alguma coisa têm objetivos interessantes em relação a essa coisa.

É exatamente aí que uma certa seriedade calculada vem a calhar, pois preenche os espaços em branco deixados pelo que é, em maior ou menor proporção, um tanto quanto desinteressante.

Veja bem, eu estou falando em Yoga porque essa é a minha vida, a minha profissão, mas você pode substituir por qualquer outra coisa.

Paleontologia, digamos?

O que estou tentando colocar, é que a seriedade não tem o poder de transformar o desinteressante em interessante, como num passe de mágica. Aliás, nem em dois, três, dezesseis passes de mágica!!! Não é assim que a coisa funciona.

Quer ver outro exemplo até comum, que faz parte da vida da gente?

Quando um relacionamento, que consideramos importante, começa a ficar um tanto desinteressante, até mesmo como um sistema de defesa, a gente dá um jeito e o transforma num relacionamento sério.

A partir daí, de forma quase serial, vamos criando protocolos, planilhas explicativas e tudo o mais que possa conceber nossa vã imaginação. Isso porque, sem sequer percebermos, costumamos confundir o que é importante em essência com o que é apenas sério em aparência.

Aquela espontaneidade relaxante (que, preste bem atenção, nada tem a ver com relaxada) vai se diluindo e acaba se transformando numa lista de obrigações e cobranças. Só que, nem tudo nessa lista é, de fato, importante. E isso sim, é muito sério mesmo - sem nenhuma intenção de apenas fazer trocadilho.

Agora, voltando à coisa séria da seriedade, lembro-me de que o Dalai Lama disse que, se ele risse menos e fosse menos espontâneo, provavelmente, seria levado mais a sério.

Por tudo isso, e de acordo com os meus cálculos, devo, por livre conta e risco, terminar com uma citação da Filosofia Rá-Tim-Bum (isso mesmo, o programa), que também pode ser considerada uma outra Teoria da Evolução:

"Viva feliz, viva contente e transforme pedra em gente!"

Isso sim é coisa séria, importante, interessante.


Nota: Na imagem, escultura de Rodin.

18 de setembro de 2009

Olhando as rodas rodando

Certa vez, logo depois de uma aula, uma aluna me disse que estava se sentindo frustrada por não estar utilizando seu tempo livre para fazer coisas mais produtivas e gratificantes.

Perguntei o que ela gostaria de estar fazendo, que pudesse ser tão produtivo e gratificante. Aí ela mencionou não a coisa em si, mas continuou dizendo que gostaria de fazer algo que fosse mais valorizado, que a motivasse a criar, a cooperar, e que fosse mais edificante. E finalizou com um sincero não sei.

Para uma certa surpresa dela e dos demais presentes, disse-lhe que, talvez, ela devesse considerar a possibilidade de, por enquanto, continuar exatamente assim: sem fazer nada que pudesse ser considerado tão especial.

Imediatamente, me lembrei de John Lennon e de seu desabafo na canção Watching the Wheels.

Ele foi severamente criticado quando resolveu simplesmente ficar básicos cinco anos cuidando de seu recém-nascido filho Sean e da casa, enquanto Yoko Ono tocava os negócios.

Posso ouví-lo dizendo:

"As pessoas dizem que sou louco por fazer o que estou fazendo. Elas me dão todo o tipo de conselhos para me salvar da ruína. E quando lhes digo que estou bem, elas me olham de um jeito estranho.

As pessoas me fazem perguntas, mas estão perdidas e confusas. E então digo a elas que não existem problemas, apenas soluções. Aí elas balançam a cabeça e me olham como se eu tivesse perdido o juízo. Digo a elas que não tem motivo para se ter pressa, que só estou aqui sentado passando o tempo.

Só estou aqui sentado olhando as rodas rodando. Eu simplesmente adoro vê-las rodando.”


Não sei se essa foi uma boa sugestão, mas, inúmeras vezes, sentimo-nos frustrados e culpados apenas pelo fato de podermos estar à vontade e sem pressa na vida, favorecidos material e contextualmente, como se isso não tivesse seu lado reconfortante e importante.

Lembrei-me também de Swami Sivananda, que dizia que quando temos tempo livre e não precisamos nos sacrificar constantemente pela manutenção de nossa existência material, estamos diante de uma dádiva e devemos aproveitar esses momentos para nos conhecermos melhor, para observarmos as pessoas e a natureza, para refletirmos e podermos agir com mais sabedoria, para observarmos o silêncio, para meditarmos, para nos descobrirmos sagrados.

Ou, quem sabe, apenas desfrutar do tempo e observar as rodas rodando, assim como o John.

E, se o seu tempo de não fazer nada permitir, sugiro que você, pacientemente, assista ao vídeo.



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Watching the Wheels by John Lennon





13 de setembro de 2009

De novo os sorrisos!!!

Logo abaixo, você encontra a postagem original, Na Paz do seu Sorriso, à qual esta aqui se refere.

O título da postagem vem de uma canção do Roberto Carlos. E embora eu tenha falado da música do Frejat e ilustrado o texto com a imagem da célebre Monalisa, de Da Vinci, ficou faltando alguma coisa que eu, naquele momento, não sabia o que era.

Por isso, hoje, estou colocando o vídeo com uma das minhas cenas favoritas de sorrisos no cinema - onde ela é longa, e os sorrisos são inúmeros, mas que aqui está bem reduzida (dois minutos). Acho-a ternamente linda!

E também aproveito para homenagear o mestre-cineasta François Truffaut e o compositor John Willams.

Ah, e, pelo visto, só fica faltando mandar um beijo pro Spielberg! rsrsrs...



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Contatos Imediatos do Terceiro Grau de Steven Spielberg






11 de setembro de 2009

Na paz do seu sorriso



Rir ainda é o melhor remédio.

Eu, absolutamente, não estou aqui para contestar essa verdade. Não, não e não!!! Mesmo porque, eu concordo em gênero, número e grau sobre a importância de se ter bom humor, de poder rir de si mesmo e de poder levar alegria a outras pessoas.

Mas, me lembrei de uma passagem filosófica, da qual gosto bastante, e que ficou conhecida como a manifestação do Filósofo que Ri.

Lembram-se de Demócrito?

Pois exatamente ele é quem ficou conhecido como o tal do filósofo que ri.

Ele viveu em cerca de 460-370 a.C. e foi o responsável por uma das primeiras teorias sobre os átomos, conhecida como Teoria Atomística, que, por sua vez, filosoficamente deu origem a uma teoria ética.

A teoria ética de Demócrito era baseada em um sistema puramente determinista, eliminando, assim, qualquer liberdade de escolha individual.

De forma bem resumida, pode-se dizer que, para Demócrito, a liberdade de escolha era uma ilusão, já que não podemos alcançar todas as causas que levam a uma decisão. E, por isso, Demócrito ria: de desespero, do mais puro desespero.

Em síntese, Demócrito queria nos dizer que, uma vez que somos impotentes diante de nosso próprio destino, nos desesperamos, e que esse desespero, além de inúmeras tragédias, também é capaz de provocar muitas gargalhadas.

O ser humano, dentre todas as espécies, é o único capaz de sorrir. Contudo, seus risos e sorrisos nem sempre são de alegria, entusiasmo e satisfação. Existe, também , o fator desequilibrante do riso, que pode chegar a ser até mesmo definido como histérico, perturbador, grotesco, maléfico - coisas das quais Sigmund Freud falou bastante.

Este é um tema simplesmente fascinante, mas não pretendo deixá-lo cansativo e pesado.

Por isso, vou finalizando com uma passagem de Amor pra Recomeçar, do Roberto Frejat - um poeta-músico contemporâneo, que é mais conhecido apenas como o Frejat da banda Barão Vermelho.

Como artista, na minha opinião, ele sintetiza muito bem o sentimento de se poder exercer tanto a alegria quanto a tristeza que existem em todos e em cada um de nós.

Ele diz assim:

Quando você ficar triste, que seja por um dia e não o ano inteiro, e que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero.

E vou apenas deixando uma questão para nossa reflexão:

O que será que se esconde por detrás de um belo e enigmático sorriso?

7 de setembro de 2009

Eu confio.



No começo do ano, quando um amigo passou por uma cirurgia, lembro-me de que, na noite anterior, mandei um torpedo dizendo:

Boa sorte amanhã. Confio em você!

E era assim mesmo que eu me sentia: confiante nele. Quanto aos médicos, ao hospital etc e tal, eu já conhecia e eles eram bons. Mas o meu sentimento era de plena confiança no meu amigo, porque era ele que iría se sair bem, era ele que iría fazer daquela cirurgia um grande sucesso.

Em vários outros momentos e situações da minha vida, me senti exatamente assim: confiante.

Não era apenas a crença, o acreditar no sucesso da coisa, ou acreditar nas ações, nos movimentos realizados para alcançar um resultado a contento. Não era só isso. No fundo, eu simplesmente sabia.

Eu olhava, falava, escutava, respirava, suspirava e... sabia.

Não era preciso querer acreditar, como na famosa frase Eu quero acreditar, da série de tv Arquivo X.

Nada disso e nem parecido com isso!

Era tão somente o pleno sentimento da confiança.

Um sentimento que as mães sentem por seus filhos: mesmo que suas condutas não sejam exemplares, mesmo quando eles erram, e erram feio.

Mães têm a habilidade de praticar o amor-confiança sem pestanejar, sem duvidar, sem cobrar.

Você pode estar cogitando o fato de que nem todas as mães são assim, e isso também é verdade. Mas, a boa nova talvez seja a de que os pais, que foram mais programados e preparados para prover e disciplinar sua prole, podem ser exatamente assim: praticantes desse pleno amor-confiança.

E tudo isso é muito fascinante, pois estamos, finalmente, conseguindo extrapolar os tolhedores limites dos papéis sociais e dos gêneros sexuais.

É como se os portais para uma atmosfera universalmente humana começassem a se abrir diante de nossos olhos, exalando um terno e reconfortante aroma que nos conduz ao aconchego de uma essência única.

O amor-confiança, que não é hesitante, que não é titubeante, que não é testante, que não é conflitante, é uma habilidade inata que todos temos, mas que nem todos reconhecemos. Por isso, ele não é apenas um sentimento, mas uma estupenda habilidade que, quando cuidadosamente exercida, é capaz de iniciar movimentos internos de profunda transformação.

Eu confio.

2 de setembro de 2009

Relacionamentos estáveis existem mesmo?



Quando você diz ou dizem pra você:

Estou num relacionamento estável.

Já parou pra pensar o que significa isso?

Pois eu, já há algum tempo, tenho feito exatamente isso. Muito levada pela minha profissão, pelos meus estudos de filosofia e de literatura, e boa parte pelas minhas vivências e observações pessoais.

Mas, tem um detalhe pontual, que eu vivo lembrando a mim mesma, várias vezes em várias ocasiões:

Estamos no século XXI.

Só que, dizer isso, parece não modificar significativamente o panorama desta temática específica. Especialmente, quando a olhamos pelo prisma do sentimento.

E veja bem: estou falando de sentimento mesmo, de laços amorosos e não apenas de amarras sexuais. Porque, talvez, você ainda não consiga compartimentalizar o sentimento amoroso e o sentido sexual. Obviamente, os dois até podem vir acompanhados num mesmo relacionamento, mas não são a mesma coisa: nem mesmo dentro desse mesmo relacionamento!

Há várias teorias, estudos psicanalíticos, filosóficos, antropológicos, biológicos, e científicos em geral, que vão abalizar uma ou outra tendência, dependendo do objetivo do estudo. E há, ainda, as várias religiões e a valorização de seus dogmas.

Já deu pra perceber que controvérsia é o que não falta. Mas, eu pensei em deixar tudo isso de lado, não questionar nada do que está sendo estudado e publicado, e apenas me deter ao que eu, Rosana, sinto em relação ao que resumi no título desta postagem.

E eu sinto que não: relacionamentos estáveis não existem de fato. Pelo menos não com as pretensas qualidades que lhes são atribuídas.

O estável é somente aquilo que está no momento, algumas vezes mesmo sem sê-lo.

Permanecer em relacionamentos, todos podemos fazer isso - mesmo que sozinhos, sem o consenso que inclui o outro.

Estabilizar plenamente nossos relacionamentos, penso que não, uma vez que o movimento e a ação são princípios vitais em nossa constituição.

Isso de estabilização, permanência e, até mesmo, estagnação, está, em maior ou menor grau, ligado ao apego que se faz passar por amor.

E explico:

Como o amor, em si, é dinâmico, altruísta e não-possessivo, não precisando sequer de um objeto palpável para poder existir, a saída menos enlouquecedora e mais escapista é lançar mão do apego: eu me apego àquele que é o objeto, mas não a causa primeira do amor, e me confundo, tentando entender com o cérebro aquilo que só o coração consegue.

Pode parecer brincadeira o que vou dizer, mas é sério de verdade:

Há pessoas que vivem relacionamentos mais saudáveis e duráveis sem a presença física do outro - o que é complexo de se entender baseado apenas nos modelos contemporâneos dos relacionamentos amorosos.

Por isso mesmo, vou deixar uma sugestão que, mais uma vez, é minha, não importando a cronologia, o gênero ou o grau do relacionamento vivido:

Quando temos que começar a justificar o por quê da existência ou da permanência num relacionamento, é chegado o momento de mudar:

Seja "o" relacionamento ou "de" relacionamento.

Mas, para fazer isso, é preciso uma certa dose de coragem para se desapegar de uma pretensa, conveniente e ilusória estabilidade.

Se relacionamentos estáveis não existem, posso assegurar que alguns relacionamentos podem ser perfeitamente duráveis.

Como? A que custo? Em quais circunstâncias?

Bom, isso já é papo pra uma outra postagem.

15 de agosto de 2009

Não vou me adaptar!

Um desabafo a là Marley é melhor que um desabafo a là Maysa...
Será mesmo?
Bom, nesse momento, sinto que é.
Sem dramas nem arrependimentos, por vezes torna-se complicado acompanhar tantas mudanças.
Alguns colocariam a culpa na idade cronológica.
Sinceramente, essa possibilidade nem me passa pela cabeça - que, a propósito, continua na faixa dos vinte.
A coisa é mais de um coração sensível que, algumas vezes, fica perdido nesse turbilhão de ter que viver um tempo rápido demais e descartável demais, que perde as essenciais proporções da sensibilidade.
O vídeo que coloquei aqui, do Nando Reis e do Arnaldo Antunes, com bom humor, fala exatamente disso daí: seja lá o que for!
Eles são adoráveis e talentosamente modernos.
E eu descobri que é preciso ter talento para se ser elegantemente moderno. Caso contrário, a vida parece não querer funcionar.
E o mais importante de tudo isso é:
Não se adaptar e se esquecer das certezas.
Transformação é a palavra.
Portanto, é só anotar:
Não vou me adaptar!
No fundo, é tudo simples e leve como uma canção do Marley.
Ou do Nando.



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Nando Reis & Arnaldo Antunes




17 de julho de 2009

Porque nem tudo precisa de explicação



Você já ficou contente sem um motivo especial, sem uma explicação racional, sem se lembrar de ter feito nada de diferente para isso?

Em momentos conturbados de sua vida, quando tudo parecia estar dando errado, inexplicavelmente você se sentiu de bem consigo mesmo e com uma certeza inabalável de que tudo se acertaria da melhor maneira possível?

Experimentou uma alegria interior gostosa, que veio não se sabe de onde, e que lhe deu forças para continuar, para persisitir e insistir em achar as melhores soluções, sem se cansar ou se abater?

Já vivenciou um estado de intuição positivamente confiante, quando todo mundo insistia em dizer que pior do que estava não dava para ficar, que você já estava emocionalmente perturbado, mentalmente desvairado, vivendo fora da realidade, e você sabia, com uma convicção que nunca vai realmente conseguir explicar, que tudo ía dar certo, muito certo, e que essa sua certeza era só uma questão de tempo para se materializar no aqui e agora?

Pois esse alegre mundo invisível, de fascinantes certezas que não se explicam, não é menos real do que o mundo das explicações lógicas e das conjecturas mentais racionais. É apenas mais sensível e menos reproduzível, só isso! Ou seria tudo isso?

Pensando bem, que diferença faz? Eu não vou conseguir explicar mesmo!!!

26 de junho de 2009

The Best



Too much talent for just a single body.
Bad, bad, bad, Michael!

24 de junho de 2009

Com quantos paus se faz uma canoa? Alguém aí poderia ter a gentileza de me dizer?



Sempre tive curiosidade de saber. Se bem que, obviamente, depende muito do tamanho da canoa: se pequena, média ou grande.

Meus pais e avós sempre falavam isso pra mim: que íam me mostrar com quantos paus se fazia uma canoa, toda vez que eu inventava alguma arte.

Eu parava, ficava esperando, mas nada de canoa! Aí eu me enchia, me cansava de esperar pra ver a canoa, e voltava a fazer uma outra arte. E era quando ela voltava à cena:

- Você está querendo mesmo ver com quantos paus se faz uma canoa, não é mocinha?

Achei que isso já estivesse mais do que explícito pra eles, mas, mesmo assim, nadica de nada de canoa!

Com o passar do tempo, deduzi que essa tal canoa devia estar flutuando em algum lugar obscuro do planeta, num rio de águas negras e tortuosas, à deriva da vida. Uma espécie de canoa assombrada, nunca antes navegada.

Uma inacessível canoa, foi nisso que ela se transformou. Uma onírica canoa, como num auto do inferno. Porém, uma resistente canoa, praticamente indestrutível.

Com o passar de mais alguns anos, a imagem da canoa foi ficando mais amena, mais serena, mais pequena e mais distante também. Por alguns períodos, ela chegou a desaparecer completamente, como se nunca tivesse existido. Cheguei a perder a minha memória da canoa, as minhas lembranças dela. Quando me dei por conta, estava, junto com a minha canoa, perdendo contato com o fascínio e o encantamento que sempre fluíram em mim.

Minhas travessias ficaram bem mais desinteressantes sem ela, desidratadas. O fluído, que lhe servia de condutor, estava se esvaindo. O frio gostoso e estimulante na barriga estava se transformando em puro medo - um medo enorme da canoa virar e de eu desaparecer pra sempre, como se nunca tivesse existido.

Foi quando, num fim de tarde de outono, deitada no chão, olhando pro céu, vislumbrei a minha canoa.

Minha boa e velha canoa ainda estava lá, embora estivesse diferente.

Eram os remos!

Minha canoa, antes apenas uma canoa desmembrada e desarticulada, tinha agora um par de remos, como braços esperando pra me abraçar.

Quanto aos paus, ainda não descobri com quantos se faz uma canoa. Mas, resolvi remar.

23 de junho de 2009

Gente novinha & gente antiguinha



É muito comum a gente achar que o oposto de ser jovem é ser velho, e que o oposto de algo novo é algo antigo. Simplistamente colocando, é assim mesmo que as coisas acabam funcionando na vida real.

Exemplificando: um homem de 20 anos é jovem, mas um de 70, é velho; uma casa recém-construída é nova, uma construída em 1910 é antiga. Matemática simples e descomplicada, que lida meramente com o tempo sob o aspecto cronológico.

Mas existe o aspecto psicológico do tempo, que não é tão óbvio e fácil assim de se calcular. E é exatamente ele que delimita a fronteira que transforma, por exemplo, a velhice em uma continuação sábia e saudável da juventude, ou que tranforma seres humanos em gente novinha e gente antiguinha.

Existem dois conceitos que, ao meu ver, estão sempre aliados ao se ser novo ou antigo: a imaturidade e o preconceito.

A imaturidade gera uma insaciável sede por novidades, enquanto que o preconceito nos transforma em seres abertamente antiquados e ultrapassados (na melhor das hipóteses!).

O imaturo não sabe lidar com as frustrações. Já o preconceituoso sequer admite a existência das frustrações!

O ponto-chave desses conflitos fica mais claro quando o correntemente considerado como "certo" é ser sempre fisicamente novo, mesmo que psicologicamente antiquado.

Já o ser jovem ou ser velho não são opostos, mas fluxos contínuos de aprendizagem e sabedoria. O jovem que aprende sempre, torna-se um "jovem sábio", ou um "velho", como costumamos dizer.

Só consegue ser velho aquele que detém a sabedoria da experiência das vivências da alma. Todos conhecemos pessoas jovens fantásticas aos 70, 80, 90 anos! Ao passo que todos também conhecemos gente antiquada aos 20, 30, 40, 50...

Agora, o grande barato de tudo isso é que a gente pode escolher entre ser eternamente jovem ou ser temporariamente novo. Só que, pra isso, é preciso aprender a ler, além do tempo do corpo, o invisível e sensível tempo da alma.

Papo antiquado? Olha lá...

5 de junho de 2009

Sobre homens & mulheres: tudo tão igual!!! Uma nova ética para os relacionamentos - Parte II

- Sabe que só no terceiro encontro a gente transou?

Olhares e silêncio.

- Sabe que, pra hoje em dia, isso é muito tempo?

Silêncio constrangedor.

Explico: os monólogos são de um amigo meu, os silêncios são meus.

Há um ano atrás, quando ele me disse isso, devo confessar que eu tinha uma queda por ele... Mas, aí, sabe como é, apareceu uma garota e pumba: fui pro espaço! No começo, não acreditei que eles fossem ficar juntos por mais do que uns, sei lá, dois meses. Mas eles estão juntos até hoje e, ao que tudo indica, ele está satisfeito com o que tem, e, me atrevo a palpitar, devem até se casar.

Por ter passado por essa experiência, comecei a prestar mais atenção à minha volta, procurando entender pelo menos um pouco do que tinha me acontecido.

Não sei se entendi, mas minhas observações estão se transformando numa pesquisa informal: observo as atitudes de pessoas que eu conheço, que são somadas aos comentários que ouço e aos desabafos que escuto. E, pasmem, depois de um tempo fazendo isso, passei uns três meses me sentindo quase um lixo de mulher.

Querem saber por quê?

Porque eu "descobri" uma coisa que já anda acontecendo há séculos, mas que nunca antes me chamou tanto a atenção: as pessoas fazem sexo primeiro pra descobrir se se gostam como pessoas depois!

Primeiro se transa, depois vê se se admira.

Primeiro se transa, depois vê se se respeita.

Primeiro se transa, depois vê se se importa.

Esse comportamento antes era tido como masculino, porque os homens, mais do que as mulheres, costumavam agir assim. Homens traíam mais e selecionavam menos suas parceiras. Sem querer ser machista ou preconceituosa, essa era a idéia geral. Hoje, não mais.

Hoje, de acordo com algumas estatísticas mais recentes e pelos meus estudos informais, as mulheres traem quase na mesma proporção e já selecionam bem menos seus parceiros. A ponto de eu ter chegado a ouvir, de uma garota de apenas 18 anos, a seguinte constatação:

- É bom eu ficar com esse mesmo (leia-se: namorado), porque tá difícil de encontrar homem.

Considerando-se que estamos no século 21, é triste, não é?

Assim como me foi triste ter que ouvir, desse mesmo amigo, que eu sou muito sensível e que me importo muito em fazer a coisa certa. A sugestão que eu mais ouvi e ouço até hoje é: deixa rolar pra ver no que vai dar!

Confesso que passei uns tempos bem desanimada, até desapontada comigo mesma, simplesmente por não conseguir ser assim. Até que comecei a realizar que, apesar de tudo isso, essas mesmas pessoas, homens e mulheres, não estavam assim tão felizes. Pelo menos, nem um terço do que esperavam ser.

Descobri, também, que eles não conseguem ser tão espontâneos quanto gostariam, e que passam boa parte do tempo em elucubrações estratégicas para fazer o relacionamento racionalmente "valer a pena".

Mas foi aí também que eu percebi uma coisa fantástica, que mudou meu olhar e me trouxe uma certeza reconfortante: é essencial poder ser diferente, embora não seja nada fácil.

Acabei, a duras penas, descobrindo que eu adoro poder ser mulher e ser feminina, que eu não gosto de medir forças quando me interesso sinceramente por um homem, e que eu admiro demais as pessoas que conseguem ficar sozinhas sem ser solitárias, que não sucumbem a qualquer apelo pra ter alguém do lado.

Descobri que repugno essa safra de mulheres-profissionais e de homens-sazonais.

Descobri que a maioria é, quase sempre, burra (não estou falando de QI, mas de consciência) e que existem coisas que não se faz, mesmo que muuuuuuuuuita gente esteja fazendo.

Descobri que a maior ética para qualquer relacionamento, especialmente aqui o homem-mulher, é tão antiga e tão suprema:

Não faça ao outro aquilo que você não gostaria que fizessem a você.

Não traia, a não ser que você ache o máximo ser traído/a; não brinque com os sentimentos de niguém, a não ser que você receba de bom grado esse mesmo tipo de tratamento; não mantenha uma relação apenas por não ter ninguém melhor no momento ou por conveniência, ou apenas porque você não suporta nem a idéia de ficar sozinho/a.

O tempo é precioso demais pra não levar a lugar nenhum. Em resumo: não enrole!!!

Posso continuar escrevendo por horas a fio, mas acho que já deu pra entender.

Evoluir como seres humanos é tarefa árdua para homens e mulheres, sem distinção, pois em essência, somos todos um. Como dizia o filósofo Sto Agostinho: na essência a unidade, na aparência a liberdade. E como também dizía Krishnamurti: a liberdade não é uma reação - é um sentimento.

Em pleno século 21, quando o assunto é relacionamentos amorosos, a grande liberdade é saber se comprometer consigo mesmo: sem egocentrismos, sem possessividades, sem dependências, oferecendo apenas o seu melhor e fazendo despertar no outro o que ele tem de melhor.

30 de maio de 2009

Pra quem, como eu, é fã do Dr House (oops: Hugh Laurie!)

Tenho que admitir: sou fã do Dr House!
Pois é, esse mesmo, da série de tv norte-americana...
No fundo, eu sou fã é do Hugh Laurie: um ator britânico que tem 1001 talentos!
O cara é formado em Cambridge, e canta, toca, escreve, representa...Além de ser um humorista no melhor sentido da palavra.
Alguns já conhecem, mas ainda são poucos, sua participação na série de tv britânica, exibida pela BBC, A Bit of Fry and Laurie - onde ele fazia dupla com outro excelente humorista, o Stephen Fry. Essa série, que foi ao ar de 1989 a 1995, é um legítimo cult.
Aqui, além do humor, você pode conhecer um pouco dos dotes musicais do Laurie, parodiando o Bob Dylan.
Ah, e vale muito a pena prestar atenção nas expressões faciais e nos olhares sorrateiros dele rsrsrs...
Boa diversão!



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Hugh Laurie, o Dr House, parodiando Bob Dylan




23 de maio de 2009

Adeus, Zé Rodrix: somente a certeza dos limites do corpo


Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais


Zé Rodrix partiu.
Quando soube, me lembrei também de Elis Regina.
E me lembrei, sobretudo, da música "Casa no Campo".
No vídeo aí embaixo, você encontra a perfeita união da letra perfeita do Zé com a perfeita voz da Elis.



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Elis Regina cantando "Casa no Campo"




15 de maio de 2009

Bússola sem Norte

Foi numa dessas tardes de filmes em DVD e pipoca, que a mágica aconteceu: eu finalmente descobri a bússola de Jack Sparrow, personagem do Johnny Depp, na trilogia Piratas do Caribe. Foi encantamento à primeira vista.

Para quem ainda não conhece, a história é muito simples: a bússola do Capitão Jack Sparrow não tem Norte! Ela gira, gira, gira, mas nunca aponta para o Norte geográfico.

- Sua bússola está quebrada: não tem Norte! - é o que todos dizem ao tentar utilizá-la.

- Quem disse que eu quero ir para o Norte? Esta é uma bússola muito especial: ela só aponta na direção dos seus mais profundos desejos, para o que você mais quer no mundo! - diz Jack.

A história da bússola sem Norte de Sparrow é uma metáfora para a descoberta dos nossos próprios desejos e intenções, para a eterna busca de uma essência que todos queremos descobrir onde se esconde: a felicidade.

A felicidade não pode ser geograficamente encontrada, pois é um estado interno. A beleza e sabedoria da bússola de Jack Sparrow se revelam quando ela, espontaneamente, gira motivada pela força do desejo mais profundo, que vem do coração de quem a possui, numa espécie de topografia do sentimento.

Nossos desejos não têm norte nem qualquer outra direção pré-determinada. Nossos desejos são apenas nossos e seguem um fluxo natural interno chamado de felicidade. Tentar desviá-los desse fluxo se traduz em sofrimento, arrependimento, dor.

Para que possamos modificar algumas condições limitantes e desgastantes de nossas vidas, temos que aprender a ler as direções apontadas por essa bússola interior. No fundo, é a mesma bússola do Capitão Jack Sparrow.

Como ele majestosamente diz à sua livre e querida bússola sem Norte:

- Agora, traga-me aquele horizonte! Yo ho!

13 de maio de 2009

Mãos perfeitas!!!

Já falei sobre dedos por aqui (com o Seinfeld, mais aí embaixo) e, agora, não satisfeita, vou falar sobre mãos!
Só que, desta vez, não para ironizar, mas para valorizar.
Especialmente, o trabalho dessa dupla francesa Daft Punk.
Música eletrônica, mas os carinhas têm bom gosto.
Depois desse vídeo, acho que você vai me dar razão.
Se não pelo som, pelas mãos!(vide nota abaixo)
Coreografia perfeita!!!
Voilà!


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Daft Punk on Daft Hands






Nota: Embora sensacionais, estas mãos, muito provavelmente, não devem pertencer a nenhum dos caras do Daft Punk.

10 de maio de 2009

Alegria de viver


Alegria de viver é um outro nome para contentamento. Ambos brotam na alma e expressam o sorriso de um coração feliz.

Quando seu coração sorri, isso é puro contentamento: é a alegria pela alegria, é a satisfação pela satisfação, é a emoção pela emoção, é a paz pela paz, é o ser pelo ser.

E isso tudo sem nenhum motivo externo, sem a necessidade de nenhum acontecimento bombástico, entusiástico, eufórico.

Como saber se você sente alegria pela vida?

É mais ou menos assim:

Quando você se sentir contente e centrado no momento presente, feliz por ser quem você é, quando seus lábios expressarem um leve e iluminado sorriso, e quando seus olhos brilharem apenas por brilhar, assim como brilham as estrelas, você, então, será apenas contentamento, será apenas alegria de viver!

Porque a alegria de viver é um estado onde não se fala com a voz da razão, mas com a do coração; onde não se enxerga com os olhos do corpo, mas com os da alma.

8 de maio de 2009

Elegante sonhar



Elegância é um atributo da alma,
Uma essência que circula no sangue,
Que se exala pelos poros.
Elegância não se compra nem se vende,
Muito menos se aprende.
Ledo engano pensar
Que se pode elegante tornar.
Elegância a gente ganha de presente,
Como uma dádiva.
A recebe numa caixa de ouro,
Cravejada de diamantes e pérolas.
Quase um Taj Mahal em miniatura,
Um túmulo perpétuo,
Esperando para renascer.
Até que se descobre,
Quase sem querer,
Que ela nunca peresceu.

6 de maio de 2009

Depois da Vida

Wandafuru Raifu é o título de um lindo filme japonês realizado pelo diretor Kirokazu Kore-eda, lançado em 1998, que em português se chama Depois da Vida.

Basicamente, fala sobre a vida após a morte, retratando um local numa espécie de dimensão intermediária entre-planos, sendo um deles o da Terra. Nesse local, pessoas que acabaram de morrer são apresentadas ao que poderíamos chamar de funcionários-conselheiros. Durante três dias, esses funcionários-conselheiros auxiliam essas pessoas a examinar suas memórias em busca de um momento inesquecível de suas vidas. O momento escolhido será, então, recriado num filme que, por sua vez, será a única lembrança que poderão levar para o próximo plano (seja ele qual for!).

A tônica do filme não são as explicações, mas as recordações, ou, em outras palavras, o significado profundo que permeia nossa memória afetiva, nossas lembranças.

Pense bem agora e responda:

Se hoje, neste exato momento, você tivesse que escolher uma única lembrança para transformar num filme, qual seria? Quem faria parte dela? Que sentimento maior iría envolver essa lembrança?

Uma idéia perfeita e poeticamente bela, mas nada fácil de ser realizada.

Num dos vários momentos tocantes desse filme, existe um muito especial: o de se reconhecer como sendo a mais importante lembrança de uma outra pessoa...

Pois é, sem saber, podemos fazer parte da recordação mais valiosa da vida de alguém, podemos ser essa inesquecível lembrança.

A tradução mais próxima do título em japonês seria A Vida é Maravilhosa. E, apesar do tema da morte não nos remeter de imediato à idéia da felicidade como sendo uma vivência simples, singela e possível, aos poucos vamos percebendo que a vida é, sim, maravilhosa! Especialmente, quando vivida com o melhor e maior dos nossos sentimentos: o Amor.

Vale a pena assistir Wandafuru Raifu. Ou, quem sabe, assistir de novo, com um novo olhar...

3 de maio de 2009

Como pode um dedo ser um insulto?

Tenho certeza de que não preciso dizer mais nada: basta assistir ao vídeo bem curtinho (menos de 1 minuto!) do genial Jerry Seinfeld. E esse gesto, além de grotesco, passará a ser ainda mais ridículo e sem sentido.
Bom, mas apenas curtam o bom-humor inteligente e elegante do Seinfeld.


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how can a finger be an insult?




1 de maio de 2009

Sobre homens & mulheres: tudo tão igual!!! Uma nova ética para os relacionamentos - Parte I

Não sei se você já teve a sensação de que homens e mulheres estão se transformando num único ser... Não metafisicamente falando, nem espiritualmente falando, nem poeticamente falando, nem essencialmente falando...

Do que é que eu estou falando, então?

Especialmente do quesito sócio-comportamental, que vai delineando o que é ser homem ou ser mulher na sociedade, na frente de dezenas, centenas, milhares, milhões de outros, em circunstâncias basicamente idênticas.

Se você anda pensando a respeito, e anda não gostando do resultado de suas reflexões, saiba que você, homem ou mulher, não está sozinho/a!

Mas veja também que, pode parecer estranho que, ainda hoje, em pleno século 21, esse tema ainda possa causar celeuma e indignação. Só que olhando o panorama atual mundial, podemos facilmente perceber o quanto ainda estamos longe de chegarmos a uma possível solução interpretativa. Basta sentir o terror que de nós se aproxima com a recente declaração da Organização Mundial de Saúde: estamos vivendo uma pandemia de Influenza A(H1N1), mais conhecida como Gripe Suína. Se o relacionamento entre homens e porcos não anda lá essas coisas, com os homens não respeitando os limites de higiene e civilidade que lhes é exigido para com outros seres, aos quais bestamente chamamos de animais, imaginem entre si mesmos!

Pois é exatamente em momentos como este que fico me perguntando:

Se não conseguimos, ainda, lidar com certos tipos de doenças, que já poderiam ter sido erradicadas (mormente com mudanças comportamentais), penso que talvez seja muita pretensão de nossa parte tentarmos entender o que vai na mente e na alma das pessoas, nessas atribuições e reinos invisíveis do ser humano. E, ainda por cima, com um dificultador, especialmente quando falamos em relacionamentos e comportamentos homem-mulher: o de gênero.

Sim, porque ser feminino e ser masculino devem ser complementares em amplos aspectos, mas devem, da mesma forma, ser diversos em outros tantos. Se fosse para ser tudo sempre igual, desinteressantemente igual, com homens e mulheres se comportando exatamente igual, neste caso, o ser igual não me parece uma grande aquisição evolutiva, mas um grande engôdo!

E acrescentaria mais: um engôdo não somente grande, mas antiético também!

Sim, porque quando as pessoas mudam, as regras mudam e o código ético muda junto. Por isso, alguns estudiosos já falam em uma nova ética para os relacionamentos.